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Da falta de comunicação e o estrumbicamento

Sábado, 21 de agosto de 2010 às 09h41 / Última atualização: 26 de agosto de 2010 às 20h59

José Henrique Teixeira

Com todo o respeito às pessoas que ali atuam, mas o Departamento de Comunicação da Prefeitura de Jaú parece não caminhar em sintonia com o que acontece na administração. Os fatos parece que acontecem sem que o tal departamento -que deveria ser o primeiro a saber para levar esses fatos à população- fique sabendo. Aí, de repente, numa sexta-feira, um semanário local surpreende a todos com uma notícia bombástica envolvendo o Paço Municipal. Isso já aconteceu por inúmeras vezes. O semanário, méritos para ele, conseguiu acesso a uma informação privilegiada. Essa mesma informação tinha que ser de conhecimento do departamento competente para que fosse repassada simultaneamente a todos os veículos de comunicação e a população inteira tomasse conhecimento, até porque o semanário não tem a exclusividade no relacionamento população-informação.

A observação é feita porque na semana que está terminando o dito semanário veio com a informação bombástica de que o prefeito Osvaldo Franceschi Junior vai trocar o seu secretário da Saúde. Vai sair o médico Jaime Spanghero e entra outro médico, o pediatra Abdalla Atique. Esta pasta é o calcanhar de Aquiles da atual administração. Tem queixas diárias da população em relacão ao atendimento na rede básica. Então, a mudança de secretário da Saúde reveste-se de ainda maior importância. Todos os veículos de comunicação deveriam trazer a notícia simultaneamente. Não foi o que aconteceu porque o semanário, repito, méritos dele, tem uma fonte privilegiada, a qual o próprio Departamento de Comunicação não deve ter acesso.

Comparando a comunicação desta administração com a anterior, diria que aquela ganhava de goleada. E tinha menos funcionários que a atual. O secretário Dú Campanhã tinha na equipe uma moça, a Glaucia Copedê Piovesan Reina, que dava conta do recado. Ela agendava entrevistas com secretários, passava informações sobre as atividades das secretarias, diariamente. Além disso, sugeria pautas para entrevistas com o prefeito e, quando o prefeito viajava, informava com antecedência onde ele ia e o que iria fazer. Além disso, nas viagens de prefeito e secretários, disponibilizava os telefones celulares deles para que a reportagem pudesse entrar em contato e saber onde estavam e o que estavam fazendo. Para o rádio isso é muito importante. Era possível colocar no ar as autoridades de Jaú falando ao vivo de São Paulo, de Brasília, do gabinete onde estivessem. Na atual administração dá para contar nos dedos de uma só mão as vezes que isso aconteceu. E olha que o prefeito Franceschi tem viajado bastante. A comunicação atual tem se limitado a enviar e-mails para os veículos de comunicação, algumas vezes com atraso ou com informações incompletas.

Será que o pessoal do Paço Municipal não se dá conta de que a comunicação é uma área vital de uma administração? Já dizia o bom e velho guerreiro que "quem não se comunica, se estrumbica". Os atuais administradores, no entanto, além de acabar com a Secretaria de Comunicãção, desmontaram também uma estrutura que havia nessa área. Hoje está tudo misturado num grande salão: a Secretaria de Relações Institucionais (ex-Geral), Chefia de Gabinete e Departamento de Comunicação. Não há nem um ambiente para atender aos profissionais de imprensa. Subindo ao terceiro piso da Prefeitura dá para ver pelos vidros um punhado de gente em diversas mesas. Só não dá para distinguir quem está fazendo o quê. Como é que um repórter vai entrar ali? Estaria entrando onde? Aliás, antes a porta da Secretaria de Comunicação ficava sempre aberta e tinha cafezinho, os jornais do dia, o Jornal Oficial para o pessoal da imprensa.

Caso o prefeito Osvaldo Franceschi Junior queira que a população fique bem informada do que a sua administração está fazendo ou deixando de fazer, ele precisa cuidar urgentemente de sintonizar o gabinete com o Departamento de Comunicação. Não bastam só as suas esporádicas entrevistas coletivas. Informação é vital. Aliás, a população que paga seus impostos e faz funcionar a máquina administrativa tem o direito legítimo de saber o que os administradores estão fazendo com o seu dinheiro.

PS.: Deve ser por essas e outras que Lúcia Bariza deixou a ainda Secretaria de Comunicação logo no início do governo. Deve ser por isso, que Dú Barreto, que prometera revitalizar a área da comunicação, também não aguentou e foi embora.
 

J.H. Teixeira



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