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PSD deixa base de Franceschi e deve apoiar Agostini

Quarta, 25 de janeiro de 2012 às 05h59 / Última atualização: 27 de janeiro de 2012 às 08h04

O recém-criado Partido Social Democrático (PSD) deixou nessa terça-feira, dia 24, a base governista que apoia o prefeito Osvaldo Franceschi Junior (PV) para, muito provavelmente, integrar a oposição, coligando-se com o candidato Rafael Lunardelli Agostini (PT).

O novo comando, formalizado pelo Tribunal Regional Eleitoral na data de ontem, agora tem o médico Paulo Mattar à frente do partido, que antes era dirigido pelo colega de profissão, o médico Abdalla Atique. A mudança, provavelmente, atende a determinações em níveis federal e estadual, já que o PSD, de Gilberto Kassab, estaria “negociando” Ministérios com a presidente  Dilma Rousseff e também alinhavando possível dobradinha entre PSD e PT para a prefeitura de São Paulo. O deputado federal Ricardo Izar (PSD-SP) também teria participação na troca de comando e seria bastante ligado a Mattar. O “pacote”, pelo jeito, incluiu Jaú.

O presidente Paulo Mattar, que por dois meses no ano passado ficou filiado ao PSC, que também apoia Agostini, promete que não haverá dentro do novo partido “nenhuma retaliação” e nem “confrontos desnecessários”. Segundo ele, “não existe nada pré-determinado para coligar com Rafael Agostini, mas deve caminhar para isso”. Por outro lado, ele garante que “com o PV não existe nenhuma possibilidade de apoio” e que “a partir de hoje o PSD está praticamente rachado com o PV”. “A Comissão Provisória está em minhas mãos hoje e nós vamos dar as diretrizes. Quem quiser ficar no partido e apoiar o que nós decidirmos apoiar, que seja bem vindo e permaneça no partido. Quem achar que não deve ser assim, lógico, não deve permanecer. Hoje quem decide a quem apoiar é a Comissão Provisória”, alerta Mattar.

O recado serviria para o vereador Ademar Pereira da Silva, por exemplo. No ano passado, por divergências com Agostini e a linha de pensamento do PT local, Dema trocou o Partido dos Trabalhadores pelo PSD, partido do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, com quem a atual administração gozaria de suposto prestígio e bom relacionamento. Desde então, Dema tem defendido Osvaldo na tribuna da Câmara, a ponto de ser chamado de “líder” informal da ala governista. Caso o vereador continue a apoiar a atual administração no legislativo jauense, a permanência dele no partido pode ficar insustentável. Mattar já avisou: “Por enquanto, ninguém tem vaga garantida para concorrer na próxima eleição”. Uma possível vaga para Dema dependeria, segundo Mattar, do próprio posicionamento político do vereador. “Agora vai depender dele... Se estivermos coligados com o PT e ele [Dema] quiser fazer parte desse grupo, poderá fazer, depende do interesse político dele”, afirma o novo presidente do PSD, falando sobre uma possível coligação entre PSD e PT e a situação do vereador.

Além de Ademar Pereira da Silva, vários jauenses se filiaram ao PSD local acreditando que o mesmo permaneceria na base de apoio a Osvaldo. No site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), constam 33 nomes. Alguns deles eram dissidentes do PMDB, e saíram de lá inclusive porque o atual presidente peemedebista, Sigefredo Griso, é oposição à atual administração. Entre eles está o chefe de Gabinete Octavio Celso Pacheco de Almeida Prado Filho e o secretário-adjunto de Saúde, Norberto Leonelli Neto, além de Ruy Pacheco de Almeida Prado, José Francisco Leonelli e João Augusto Lamesa. O ex-secretário de Saúde Abdalla Atique e o secretário de Educação Orivaldo Candarolla também estão filiados ao PSD.


Não vai mudar nada”, acredita Osvaldo

Numa avaliação preliminar da situação, no entanto, o prefeito Osvaldo Franceschi Júnior diz que o fato de o PSD ter mudado de mãos e estar deixando a base aliada de seu governo “não vai mudar nada”. “No PSD temos um vereador que é o Dema [Ademar Pereira da Silva], que vai continuar ligado à gente.  Isso faz parte da disputa política e até meados de junho vai ter isso. Eles estão se movimentando de um lado e a gente também se movimenta de outro”, fala o prefeito, justificando que ainda não tinha conhecimento oficial da mudança de comando no PSD.
Osvaldo não acredita que a mudança de comando possa inviabilizar a candidatura à reeleição do vereador Dema nas eleições deste ano. “Acho que eles não vão fazer isso. É uma comissão provisória, mas acredito que o vereador Dema não terá qualquer problema”, diz.

O prefeito também não acredita que sua base aliada fique enfraquecida, o oposto de quando teve a adesão do PSD e disse que ficou fortalecida.  “Claro que a gente quer cada vez mais. Da mesma forma que estamos perdendo esse partido, vamos ganhar outros. Cada um está se estruturando para a disputa”, completa.

Agostini: “Estou satisfeito”

Embora negue qualquer participação direta na mudança de comando do Partido Social Democrático de Jaú, o pré-candidato a prefeito Rafael Agostini (PT) diz que “obviamente ficou satisfeito em saber que hoje o PSD teve os rumos corrigidos pela direção atual”. Segundo ele, “Jaú precisa de mudanças”. Agostini diz, também, que “tem relação política e de amizade muito boa com Paulo Mattar”. “O Dr. Paulo Mattar está colaborando conosco na formatação da ideia de Plano de Governo”, assegura o petista. Ainda de acordo com o pré-candidato do PT, “temos também uma relação muito boa com o deputado Ricardo Izar, que demonstrou confiança em nosso projeto e na formação desse novo grupo de coalizão que está sendo montado”.
Embora assuma o PSD, Paulo Mattar não poderá ser candidato a vice de Agostini como chegou a ser cogitado. É que a legislação eleitoral não permite candidatura de quem está filiado a menos de um ano no partido. Paulo Mattar, até dezembro de 2011, estava filiado ao PSC.
Atique: “Não fico no PSD de jeito nenhum”

Quem não gostou nada, nada do troca-troca de comando e verbalizou sua insatisfação foi o ex-presidente da Provisória, médico Abdalla Atique. Segundo ele, a mudança de comando pegou a todos de surpresa, sim. “Não esperávamos porque não tinha nada de errado aqui”, afirma, dizendo que “de jeito nenhum continua no PSD”. “Vou sair, sim. Estou sem condições morais de continuar num grupo desse tipo. Nesse grupo, com certeza, eu nunca ficaria”, diz. Atique discorda da forma com que o partido lhe foi tirado. “Eu não ajo desse jeito, embora não possa pedir a ninguém que aja da forma como eu ajo; eu não ajo nessa ética que foi usada”. Ele acrescenta que “sabe que na política isso é muito frequente, muito comum”. “Só que não tenho cabeça para agir nessa ética. A minha ética é outra”.
Atique lamenta e se sente “chateado” por ter convidado várias pessoas para entrar no PSD e fazer nele um trabalho ético e agora não poder mais dar prosseguimento à proposta. “Esse partido que está começando agora com esse grupo começou de um modo muito ruim, mas não vou falar mais nada, não. Deixa como está”, finaliza.

Ninguém da nova provisória estava filiado ao PSD

De acordo com o site do Tribunal Superior Eleitoral, nenhum dos oito novos nomes da Comissão Provisória faziam parte do PSD, pelo menos até o final do ano. O presidente Paulo Mattar, por exemplo, filiou-se ao PSC em 1/10/2011 e pediu a desfiliação dois meses depois, em 23/12/2011.
Além dele, fazem parte da nova provisória do PSD: vice-presidente - Lourival Pereira Machado Júnior (Montanha); 1º tesoureiro – Lúcio José Fiorelli; 2ª tesoureira – Aline de Queiroz Ferreira Teixeira; secretário – Luiz Renato Foganholo; 1º vogal – Thiago Mattar; 2º vogal – João Guilherme Lopes; 3º vogal – Minervina Brandão Canal.


Dema: “quero entender o que aconteceu”

O vereador Ademar Pereira da Silva, Dema (PSD), pretende se reunir com o novo presidente, Paulo Mattar, “para entender o porquê dessa alteração, já que não tinha motivo aparente”.
“Acredito que todos do meio político foram surpreendidos hoje. Foi uma alteração sem ninguém esperar, o que não quer dizer que isso também não possa ser alterado futuramente”, ressalta Dema. Ainda segundo ele, “tem muita água para passar por debaixo dessa ponte”. “Se essas mudanças fizerem parte de um projeto maior, vamos ajudar a construir o partido. Senão fizerem parte, vamos sentar e conversar em busca da melhor alternativa”, declara.
O vereador Dema, que vai pleitear agora o terceiro mandato, não acredita que possa haver retaliações dentro do partido e ficar sem uma vaga no PSD.  “Eu não acredito que corro esse risco, porque todo partido que tem um vereador na sua legenda automaticamente garante essa vaga, não por critérios legais, mas por critérios lógicos. Um mandato sempre fortalece a legenda”, diz.  Ele acrescenta: “Eu não tenho essa preocupação porque o Paulo Mattar já foi vereador comigo de 2000 a 2004 e nós sempre tivemos um bom relacionamento e acredito que o compromisso dele seja o de fortalecer a legenda, e não criar um clima de guerra ou conflito, até porque não é o perfil do Paulo Mattar”.

 

Val Seválio/Jornal Gente



Comentários

  1. Jonas A. de Mello Jr.

    resumindo o Prefeito Osvaldo, o Vereador Dema, Os Secretarios Celsinho, Chicão, Orivaldo, Abdala, e mais um monte de filiados, foram prejudicados vai ficar dificil a reeleição pro Osvaldo, e ate que eu sei isso tambem foi uma traição do Kassab e do Ricardo Izar, pois o Ricardo é muito amigo do Osvaldo e do irmão dele o Ricardo Franceschi, mais como o Deputado não teve apoio deles nas eleições, tai o troco.

  2. marcos cunha

    A turma ja começou cair fora !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!1

  3. Augusto p.

    partido tirado na mão grande.

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